A manta da Ana está quase a terminar.
Nunca nada me custou a terminar como esta manta. Queria estar sempre a fazer nela. Entusiasma-me a sequência das cores, o pensar que a Ana se vai lembrar de tanta coisa sempre que olhar para ela.
Estou a acabar parte das cores. Como que a fechar um ciclo, para que outro se abra. Mas este novo ciclo já é todo começado por ela.
Ela sabe que está tudo nas mãos dela. E quer agarrar tudo. Consegui fazer uma filha com uma ânsia de vida extraordinária.
Sinto-a com a garra toda.
Tenho tanto orgulho nela! Na Ana! A manta está gira, mas a Ana, a dela força e cabeça da Ana dão-me mais orgulho!.... nada de confusões!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
Ana - a entusiasta
Liga-me a Ana a falar de forma entusiasmada das aulas da manhã! Gosta de tudo: dos colegas, das aulas, dos conteúdos.... está com sono e cansada, mas na boa.
Depois fala entusiasmada das 8 horas de trabalho que tem pela frente, logo a seguir às aulas. Entretanto tem papeladas a tratar, arranjar forma de ser transportada de um lado o outro. Finalmente almoçar/socializar com os colegas de turma (que mal vê, por causa do trabalho).
Gosto muito de ver a minha filha assim. Entusiasmada com tudo o que faz, gerindo tudo muito bem.
O que me faz dizer o seguinte, a ti especialmente, minha filha:
- Como já deves ter ouvido, devemos fazer tudo com paixão.
Isto não é um mero chavão. Faz toda a diferença fazermos o que fazemos com paixão. As coisas saem melhor, nós sentimo-nos bem, produzimos e rendemos mais. Cumprimos o nosso papel e a nossa missão. Tudo corre bem.
Depois fala entusiasmada das 8 horas de trabalho que tem pela frente, logo a seguir às aulas. Entretanto tem papeladas a tratar, arranjar forma de ser transportada de um lado o outro. Finalmente almoçar/socializar com os colegas de turma (que mal vê, por causa do trabalho).
Gosto muito de ver a minha filha assim. Entusiasmada com tudo o que faz, gerindo tudo muito bem.
O que me faz dizer o seguinte, a ti especialmente, minha filha:
- Como já deves ter ouvido, devemos fazer tudo com paixão.
Isto não é um mero chavão. Faz toda a diferença fazermos o que fazemos com paixão. As coisas saem melhor, nós sentimo-nos bem, produzimos e rendemos mais. Cumprimos o nosso papel e a nossa missão. Tudo corre bem.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
As garras da águia
Enquanto faço o jantar ouço o Antero a cortar a unhas.
Pergunto: " Estás a cortar as garras da águia????" - (O Antero é Benfiquista, eu do FCP e da Académica, claro)
Ele solta uma gargalhada, que me agrada imenso.
Fico a saber que nas próximas semanas o Benfica não joga.
Estou tranquila - até lá as garras voltam a crescer e o Benfica talvez ganhe.
O FCP, naturalmente ganhará. Só precisa da garra da equipa - que realmente, não anda lá muito em cima, mas ainda há muito para jogar....
Pergunto: " Estás a cortar as garras da águia????" - (O Antero é Benfiquista, eu do FCP e da Académica, claro)
Ele solta uma gargalhada, que me agrada imenso.
Fico a saber que nas próximas semanas o Benfica não joga.
Estou tranquila - até lá as garras voltam a crescer e o Benfica talvez ganhe.
O FCP, naturalmente ganhará. Só precisa da garra da equipa - que realmente, não anda lá muito em cima, mas ainda há muito para jogar....
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Tricotar memórias
Durante o curso a Ana desenvolveu vários trabalhos, que eu tricotei.
A dada altura pensei fazer uma manta só com restos de lãs que ela usou nesses trabalhos.
Estou agora a fazer essa manta que tem também restos de lãs que ela trouxe da Covilhã com as quais fiz casacos para mim, e restos de lãs com que fiz casacos e camisolas para nós.
Estou a usar os restos até ao fim.
Assim, ela vai ter memórias de um tempo que já passou, mas que deixa marcas. Marcas que a aquecem, que a confortam e que também lhe podem trazer à cabeça outros momentos menos bons, que lá terá passado. Prefiro pensar nos momentos bons e que a manta a vai fazer sorrir e aquecer.
Contudo fiz batota. Acrescentei algumas lãs, garridas e que chamam a atenção, porque gosto de imaginar que é nesta manta que a Ana vai deitar os filhos dela. Que eles serão estimulados por diversas cores, texturas, padrões, motivos. As lãs mais apelativas estão estrategicamente nas extremidades da manta, para que eles se esforcem por lá chegar. ....
A dada altura pensei fazer uma manta só com restos de lãs que ela usou nesses trabalhos.
Estou agora a fazer essa manta que tem também restos de lãs que ela trouxe da Covilhã com as quais fiz casacos para mim, e restos de lãs com que fiz casacos e camisolas para nós.
Estou a usar os restos até ao fim.
Assim, ela vai ter memórias de um tempo que já passou, mas que deixa marcas. Marcas que a aquecem, que a confortam e que também lhe podem trazer à cabeça outros momentos menos bons, que lá terá passado. Prefiro pensar nos momentos bons e que a manta a vai fazer sorrir e aquecer.
Contudo fiz batota. Acrescentei algumas lãs, garridas e que chamam a atenção, porque gosto de imaginar que é nesta manta que a Ana vai deitar os filhos dela. Que eles serão estimulados por diversas cores, texturas, padrões, motivos. As lãs mais apelativas estão estrategicamente nas extremidades da manta, para que eles se esforcem por lá chegar. ....
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Inverno - Primeiros dias
Não gosto do Inverno.
Não é que não goste do Inverno - gosto é do Verão.
Do sol, do calor, do céu azul, dos dias grandes.
É que com sol, acontece que os meninos das escolas, não têm pretexto para se ficarem na escola e enchem-me a loja de gargalhadas, de olhares intrigados por não saberem que gomas levar - aqui tomam-se as primeiras grandes decisões da vida (digo eu a brincar....)
E eu preciso e gosto de ter as casas cheias. Cheias de alegria, de risos, de conversas soltas e leves, de conversas profundas e que fazem crescer. De casas cheias de vidas
Não é que não goste do Inverno - gosto é do Verão.
Do sol, do calor, do céu azul, dos dias grandes.
É que com sol, acontece que os meninos das escolas, não têm pretexto para se ficarem na escola e enchem-me a loja de gargalhadas, de olhares intrigados por não saberem que gomas levar - aqui tomam-se as primeiras grandes decisões da vida (digo eu a brincar....)
E eu preciso e gosto de ter as casas cheias. Cheias de alegria, de risos, de conversas soltas e leves, de conversas profundas e que fazem crescer. De casas cheias de vidas
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Diálogos
Adoro conversar.
E há dois livros de referência para mim, que têm por nome "Diálogos de Platão" e "Diálogos com a Morte".
O primeiro foi importante no sentido em que está lá a minha concepção de educação/formação, e da sua importância no desenvolvimento do ser humano. É um hino à cultura, ao conhecimento, à vontade de crescer e descobrir. Fez com que não possa morrer sem ir ao Parthenon, Fez-me ter vontade que fiquem lá espalhadas as cinzas do que restar de mim. Porque foi lá que a nossa civilização começou. Platão/Sócrates ensinaram-me a educar a Ana. Ela foi a cobaia do que ficou em mim desses diálogos. E os resultados são claros como água, puros como o azul dos olhos dela. A minha filha sabe pensar, gosta de conhecer, de descobrir, de fazer por ela, de ir e voltar. A Ana aprendeu a aprender.
O outro diálogo é um hino à vida. À importância de se aproveitar cada instante, cada momento com intensidade e verdade. Porque a vida é breve, e tudo, para valer a pena este instante em que por aqui andamos, tem de ser vivido de forma sentida e em pleno. Com esse livro aprendi a atirar-me à vida sem medos e receios, porque tudo vale a pena e aprendemos com tudo. E que nos momentos mais decisivos estamos sózinhos, mas connosco. Nós somos a nossa melhor companhia, e daí ser importante estarmos em paz connosco, com o nosso passado, com o nosso presente.
E há dois livros de referência para mim, que têm por nome "Diálogos de Platão" e "Diálogos com a Morte".
O primeiro foi importante no sentido em que está lá a minha concepção de educação/formação, e da sua importância no desenvolvimento do ser humano. É um hino à cultura, ao conhecimento, à vontade de crescer e descobrir. Fez com que não possa morrer sem ir ao Parthenon, Fez-me ter vontade que fiquem lá espalhadas as cinzas do que restar de mim. Porque foi lá que a nossa civilização começou. Platão/Sócrates ensinaram-me a educar a Ana. Ela foi a cobaia do que ficou em mim desses diálogos. E os resultados são claros como água, puros como o azul dos olhos dela. A minha filha sabe pensar, gosta de conhecer, de descobrir, de fazer por ela, de ir e voltar. A Ana aprendeu a aprender.
O outro diálogo é um hino à vida. À importância de se aproveitar cada instante, cada momento com intensidade e verdade. Porque a vida é breve, e tudo, para valer a pena este instante em que por aqui andamos, tem de ser vivido de forma sentida e em pleno. Com esse livro aprendi a atirar-me à vida sem medos e receios, porque tudo vale a pena e aprendemos com tudo. E que nos momentos mais decisivos estamos sózinhos, mas connosco. Nós somos a nossa melhor companhia, e daí ser importante estarmos em paz connosco, com o nosso passado, com o nosso presente.
Ter uma porta aberta
Toda a gente sabe que os cães não podem entrar em estabelecimentos comerciais.
(Por isso a Carlota aprendeu a esperar por mim, à porta das lojas onde eu entrava, com aqueles olhos fitos em mim, expressão alerta e viva de quem morre se eu demorar um minuto mais do que preciso).
A Teresa, que já teve estabelecimentos comerciais, também sabe. Por isso me custou tanto, ter de lhe pedir para sair da minha loja com a cadela dela, para que uma cliente minha pudesse entrar.
Era suposto a Teresa sair imediatamente, ante a cara de pânico da menina. A Teresa saiu contrariada e face à minha insistência. Fiquei zangada, mesmo muito zangada.
(Por isso a Carlota aprendeu a esperar por mim, à porta das lojas onde eu entrava, com aqueles olhos fitos em mim, expressão alerta e viva de quem morre se eu demorar um minuto mais do que preciso).
A Teresa, que já teve estabelecimentos comerciais, também sabe. Por isso me custou tanto, ter de lhe pedir para sair da minha loja com a cadela dela, para que uma cliente minha pudesse entrar.
Era suposto a Teresa sair imediatamente, ante a cara de pânico da menina. A Teresa saiu contrariada e face à minha insistência. Fiquei zangada, mesmo muito zangada.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Sobre as nozes
As nozes fortalecem as defesas do corpo, auxiliam na formação de glóbulos vermelhos, ajudam a curar ferimentos mais depressa, fortalecem ossos e dentes e, ainda, atuam contra o envelhecimento das células.
As nozes são tão poderosas que a ingestão
diária destas 'cápsulas de saúde', mesmo em pequenas quantidades, pode evitar
até 65% o risco de doenças do coração. Isso porque reduzem as taxas de
colesterol e a formação de coágulos no sangue, além de ter ação anti-inflamatória.
Mais: contêm fósforo e potássio e pouco sódio, o que fortalece o músculo
cardíaco.
Os chineses
sempre souberam destas vantagens. Como a nogueira é originária da Ásia, não é
de se estranhar que um milenar ditado da região recomende comer uma noz ao dia
para beneficiar o coração.
Por serem ricas
em antioxidantes, especialmente vitamina E e selênio, as nozes funcionam ainda
como agentes de prevenção do cancro. E a mesma vitamina é importante para
estimular a fertilidade masculina. Por outro lado, seus compostos chamados fito
estrogénios - reduzem os problemas relacionados com menopausa. Além disso, o
fruto é rico em cálcio, fundamental para a saúde de ossos e dentes.
As nozes são um
dos itens com maior teor de vitamina B6. Esta vitamina atua no bom
funcionamento do cérebro e na produção de glóbulos vermelhos.
Mas ela engorda?
Só para quem exagera no consumo. Para ter todos os benefícios, basta comer
cinco nozes (28 gramas) ao longo do dia. Isso equivale a 193 calorias, o que é
igual a duas barras de cereais.
Agora que está esclarecido o nome do blog, está clara a importância de se ter voz e dos benefícios das nozes, torna-se evidente que este blog vai fazer bem a tudo.
É um espaço para pensar e verbalizar o que se pensa.
É um espaço e um tempo em se que reflecte sobre o que nos faz bem e o que nos põe mal. Porque tudo faz parte da vida. Pelos benefícios das nozes, já dá para perceber que se pode falar de tudo
Bom, pelo menos a mim vai fazer-me bem.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Sobre as vozes
Dei voz a muitas mulheres.
Enquanto formadora - que serei sempre de alma e coração - dei voz a muitas mulheres.
Tive muitos grupos compostos só por mulheres. Que estavam desempregadas, tristes, abatidas, muitas em plena e profunda depressão, com a auto-estima muito lá em baixo.
Como comecei muitos cursos e os meus módulos "Desenvolvimento pessoal e profissional" proporcionavam, a coisa acontecia.
E era ver elas todas contentes a expressar opinião, a dizer o que pensavam, a terem palco, a sentir que alguém (as colegas e eu as ouviam e consideravam). Saíam outras. Altivas, valorizadas, senhoras dos respectivos narizes.
O pior é que esta questão tem o seu reverso.
De tão contentes que ficavam, levavam a sua alegria lá para casa. Ora, os maridos não contavam nem estavam preparados para terem em casa a mulher a pronunciar-se por isto e por aquilo, a "botar faladura". Apareciam na sessão seguinte (algumas, claro) com nódoas negras devido a terem ficado com o pé preso no sinto de segurança, ou terem caído de um escadote quando procuravam algo num armário mais alto.....
Passei a ter o cuidado de as avisar disso. Que eles não estavam habituados a ter uma mulher que pensa, que fala, que tem opinião, que gosta de a expressar, que tem valor. E que então, era melhor elas, irem mais de mansinho a expressar essa opinião.
Isto acontece, ainda, tanto no interior do país como no litoral, em famílias com escolaridade e sem ela.
E penso até que as mulheres vítimas de violência doméstica (que chegam a ser mortas por maridos e/ou ex-maridos (isto não consigo compreender), estão a ser vítimas é de ter voz, de pensar, de saberem fazer, de saberem ser, de irem mais longe do que os homens. Sim, porque enquanto as mulheres adquiram competências, parte dos homens continuam agarrados ao copo de cerveja e a olhar para a TV ou ecran do computador.
Claro que não estou a generalizar. Há homens, maridos que gostam de ver a respectiva mulher a crescer, a ser valorizada e reconhecida e que ficam eles também contentes com esse reconhecimento. Mas devem ser tão poucos......
Enquanto formadora - que serei sempre de alma e coração - dei voz a muitas mulheres.
Tive muitos grupos compostos só por mulheres. Que estavam desempregadas, tristes, abatidas, muitas em plena e profunda depressão, com a auto-estima muito lá em baixo.
Como comecei muitos cursos e os meus módulos "Desenvolvimento pessoal e profissional" proporcionavam, a coisa acontecia.
E era ver elas todas contentes a expressar opinião, a dizer o que pensavam, a terem palco, a sentir que alguém (as colegas e eu as ouviam e consideravam). Saíam outras. Altivas, valorizadas, senhoras dos respectivos narizes.
O pior é que esta questão tem o seu reverso.
De tão contentes que ficavam, levavam a sua alegria lá para casa. Ora, os maridos não contavam nem estavam preparados para terem em casa a mulher a pronunciar-se por isto e por aquilo, a "botar faladura". Apareciam na sessão seguinte (algumas, claro) com nódoas negras devido a terem ficado com o pé preso no sinto de segurança, ou terem caído de um escadote quando procuravam algo num armário mais alto.....
Passei a ter o cuidado de as avisar disso. Que eles não estavam habituados a ter uma mulher que pensa, que fala, que tem opinião, que gosta de a expressar, que tem valor. E que então, era melhor elas, irem mais de mansinho a expressar essa opinião.
Isto acontece, ainda, tanto no interior do país como no litoral, em famílias com escolaridade e sem ela.
E penso até que as mulheres vítimas de violência doméstica (que chegam a ser mortas por maridos e/ou ex-maridos (isto não consigo compreender), estão a ser vítimas é de ter voz, de pensar, de saberem fazer, de saberem ser, de irem mais longe do que os homens. Sim, porque enquanto as mulheres adquiram competências, parte dos homens continuam agarrados ao copo de cerveja e a olhar para a TV ou ecran do computador.
Claro que não estou a generalizar. Há homens, maridos que gostam de ver a respectiva mulher a crescer, a ser valorizada e reconhecida e que ficam eles também contentes com esse reconhecimento. Mas devem ser tão poucos......
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Ter voz
Eu tenho uma voz. Por motivos vários sempre senti que ninguém ligava à minha voz. Para me ouvirem ou tinha de pagar (fiz psicoterapia durante anos) ou pagavam-me - fui formadora e aí ouviam-se geralmente com interesse, porque, lá está: eu tenho uma voz.
Eu tenho uma filha, a Ana. E por isso vou aqui falar dela, nela, sobre ela. Porque ela é a minha razão de viver.
Eu tenho uma loja de gomas. Como passo aqui os meus dias, também falarei do que aqui se vai passando e me faz pensar, reflectir e depois falar.
Eu tenho um sentido de humor, meu, que só quem me conhece entende.
Eu tenho 50 anos. Começo a sentir a contagem decrescente. Já não não tenho outros 50 anos para viver. Por isso já estou a construir memórias. Não me sinto com 50 anos. Sinto-me uma miúda gira que sabe que tem 50 anos, mas que ninguém lhos dá.
Eu tenho muito para dizer, mas não tenho quem me queira ouvir.
Eu sei que a escrita é a minha forma de expressão. E por isso aqui estou.
Apesar de todas as frases começarem pela palavra eu, eu não sou narcisista.
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