Dei voz a muitas mulheres.
Enquanto formadora - que serei sempre de alma e coração - dei voz a muitas mulheres.
Tive muitos grupos compostos só por mulheres. Que estavam desempregadas, tristes, abatidas, muitas em plena e profunda depressão, com a auto-estima muito lá em baixo.
Como comecei muitos cursos e os meus módulos "Desenvolvimento pessoal e profissional" proporcionavam, a coisa acontecia.
E era ver elas todas contentes a expressar opinião, a dizer o que pensavam, a terem palco, a sentir que alguém (as colegas e eu as ouviam e consideravam). Saíam outras. Altivas, valorizadas, senhoras dos respectivos narizes.
O pior é que esta questão tem o seu reverso.
De tão contentes que ficavam, levavam a sua alegria lá para casa. Ora, os maridos não contavam nem estavam preparados para terem em casa a mulher a pronunciar-se por isto e por aquilo, a "botar faladura". Apareciam na sessão seguinte (algumas, claro) com nódoas negras devido a terem ficado com o pé preso no sinto de segurança, ou terem caído de um escadote quando procuravam algo num armário mais alto.....
Passei a ter o cuidado de as avisar disso. Que eles não estavam habituados a ter uma mulher que pensa, que fala, que tem opinião, que gosta de a expressar, que tem valor. E que então, era melhor elas, irem mais de mansinho a expressar essa opinião.
Isto acontece, ainda, tanto no interior do país como no litoral, em famílias com escolaridade e sem ela.
E penso até que as mulheres vítimas de violência doméstica (que chegam a ser mortas por maridos e/ou ex-maridos (isto não consigo compreender), estão a ser vítimas é de ter voz, de pensar, de saberem fazer, de saberem ser, de irem mais longe do que os homens. Sim, porque enquanto as mulheres adquiram competências, parte dos homens continuam agarrados ao copo de cerveja e a olhar para a TV ou ecran do computador.
Claro que não estou a generalizar. Há homens, maridos que gostam de ver a respectiva mulher a crescer, a ser valorizada e reconhecida e que ficam eles também contentes com esse reconhecimento. Mas devem ser tão poucos......
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